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Meu filho não fala, ele é autista?

atraso na fala
Nem toda criança que apresenta atraso no desenvolvimento de fala e linguagem é autista.

E a resposta é: Não!
O atraso de fala e linguagem é um aspecto comumente observado no quadro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), entretanto vale salientar que nem toda criança que apresenta atraso no desenvolvimento de fala e linguagem é autista.

Nos primórdios do desenvolvimento infantil, o choro é a principal forma de comunicação. Embora desagradável para os responsáveis, é visto como um marcador de desenvolvimento típico. Incialmente o choro é ato de reflexo frente a uma situação de desconforto, não sendo observado intenção comunicativa neste momento. Conforme a criança desenvolve-se, o choro ganha uma diferenciação, passando a ter um caráter interativo e intencional, as vocalizações se tornam cada vez mais presentes, ganhando um carácter comunicativo. Ao longo do desenvolvimento, a criança refina esses comportamentos, ressignificando a ponto de observar habilidades e comportamentos verbais e linguísticos cada vez mais elaborados.  

Quando se trata do desenvolvimento da linguagem, a criança deve obedecer ao marco do desenvolvimento de fala e linguagem, sem mudanças significativas no quadro frente ao que é esperado para a faixa etária.

A tabela abaixo mostra o que é esperado para cada faixa etária:

Desenvolvimento de linguagem em crianças de zero a seis anos

O que é esperado para cada idade?
– Mostrar interesse pelas pessoas e objetos
– Fazer contato de olhos
– Emitir sons, chorar, agarrar objetos com a mão, reagir a sons e vozes familiares
– Responder a comandos verbais sem pistas visuais. Ex.: dar tchau, jogar beijo, bater palmas quando alguém canta parabéns
– Começar a dizer as primeiras palavras com significado. Ex.: mama, papa, dadá, tetê
– Olhar quando chamado pelo nome
– Entender o “não”. 
– Utilizar duas palavras. Ex: Dá neném! Dá dedêra! É meu!
– Saber as partes do corpo e identificá-las. Ex.: cadê o cabelo? Cadê a barriga? Cadê a boca?
– Responder “sim” e “não” e usar gestos com a cabeça o dedinho para responder perguntas.
– Brincar com os objetos da forma convencionar. Ex: utilizar colher para comer, pente no cabelo, copo para beber.
– Saber o nome dos objetos do dia-a-dia. Ex: copo, boneca, cachorro (au-au), carro, bola etc. (Fala aproximadamente 200 a 300 palavras)
– Saber quem são as pessoas próximas. Ex: papai, mamãe, vovó, titia, o nome do irmão etc.
– Saber a diferença entre grande e pequeno, muito e pouco.
– Utilizar “quem” e “onde” para fazer perguntas.
– Conhecer algumas cores básicas (mas ainda não sabe falar). Ex.: Pegue o vermelho!
– Usar verbos para formar frases simples. Ex.: “eu estava brincando”, “papai está dormindo”, “eu fui à escolinha”, “cadê o au-au?”, “que au-au grande”.
– Gostar de “ajudar” os adultos nas atividades domésticas, brincar de faz de conta, entender o que é permitido e proibido.
– Responder perguntas “com quem”, “onde” e “o quê” .
– Ter noção de “frente”e “trás” .
– Conhecer as cores (vermelho, azul, amarelo, verde) e formas geométricas (círculo, quadrado, triângulo).
– Utilizar frases de 3 a 4 palavras. Ex.: “mamãe é linda”, “cadê a minha bola?”.
– Obedecer a ordens seguidas. Ex.: “Vai ao quarto, pega o sapato e dá para a vovó”.
– Gostar de cantar e brincar com palavras e sons.
– Brincar com outras crianças e saber esperar a sua vez no jogo.
– Perguntar muito.
– Início do uso de discurso direto e indireto.
– Falar todos os sons da língua, mas ainda pode ter dificuldade nos encontros consonantais. Ex: planta, prato, braço.
– Manter uma conversa.
– Conseguir lembrar situações passadas e contar histórias simples. Por exemplo: o que fez na escola, o que comeu, quem encontrou na rua etc.
– Gostar de brincar em grupo, de imitar personagens e brincar de faz-de-conta.
– Ser curioso e ansioso para mostrar o que aprendeu e o que sabe fazer.
– Conseguir contar histórias como narrador.

 

– Ter noção temporal. Ex.: amanhã, ontem, hoje, antes, depois, dias da semana, manhã, tarde, noite, primeiro, segundo, terceiro…
– Identificar letras do próprio nome.
– Conhecer os números.
– Manter uma conversa.
– Falar as palavras corretamente.
– Gostar dos amigos e de brincar de conta. Ex.: Super herói.
– Interessar-se pela leitura e escrita.
– Contar histórias com mais detalhes.

  

Prates et al.

 

É demasiadamente amplo o campo de fatores etiológicos que contribuem para um atraso no desenvolvimento de linguagem, são eles:

 

Perda auditiva

Não olhar quando chamado e não se atentar aos sons verbais e não verbais podem ser confundidos com autismo, porém também são comportamentos indicativos de perda auditiva. A realização do teste da orelhinha (ao nascer), BERA ou audiometria são de extrema importância para o descarte desta hipótese.

 

Transtornos motores de fala (apraxia, disartria)

A fala é um processo caracterizado por diversas etapas que envolvem o planejamento e execução neuromotor. Crianças que apresentam dificuldade nessas etapas consequentemente poderão ter dificuldade em desenvolver a fala. Nesses casos, a criança geralmente entende bem, mas observa-se dificuldade em planejar e executar de forma motora os sons da fala.

 

Atraso simples de fala e linguagem:

– Denominamos de atraso simples de linguagem todo e qualquer tipo de atraso não seja causado por algum fator de viés sensorial, motor ou intelectual. Exemplo: atraso em decorrência de empobrecimento de estímulos, uso excessivo de telas etc.

– Síndromes genéticas (Síndrome de Down, Síndrome do X Frágil etc)

Deste modo, salienta-se a importância da avaliação com o fonoaudiólogo para a detecção de desordens no processo de fala e linguagem. O fonoaudiólogo é o profissional habilitado para detecção e intervenção nas desordens que envolvem a linguagem oral e escrita. 

A equipe interdisciplinar do Próximo Degrau conta com profissionais experientes que auxiliam nossas crianças nos processos de comunicação e outras áreas relativas à Fonoaudiologia.

 

Referências: https://ftp.medicina.ufmg.br

Acesso em 25/04/2022

 
 
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